Por Yara Ferreira Rocca
Durante mais de duas décadas, conquistar boas posições no Google foi o principal objetivo das empresas que buscavam visibilidade na internet. O SEO (Search Engine Optimization) tornou-se essencial para atrair visitantes, gerar oportunidades e aumentar as vendas. Hoje, porém, uma nova transformação está mudando novamente a lógica da presença digital.
Cada vez mais pessoas substituem as buscas tradicionais por conversas com Inteligências Artificiais como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity. Em vez de uma lista de links, elas recebem respostas prontas que frequentemente recomendam empresas consideradas referências em determinado assunto. Assim, a pergunta deixa de ser "Como aparecer no Google?" para se tornar "Como fazer minha empresa ser citada pelas IAs?".
É nesse contexto que surge o Generative Engine Optimization (GEO), conjunto de estratégias voltadas para aumentar as chances de uma empresa ser compreendida, reconhecida e mencionada pelas Inteligências Artificiais. Diferentemente do SEO, que busca melhorar posições nos mecanismos de busca, o GEO fortalece os sinais de credibilidade, experiência, autoridade e relevância utilizados pelos modelos de IA para formular suas respostas.
As Inteligências Artificiais não escolhem empresas aleatoriamente. Elas analisam milhares de informações disponíveis na internet, considerando fatores como qualidade do site, notícias publicadas na imprensa, artigos assinados por especialistas, conteúdos aprofundados, implementação de Schema Markup, critérios de E-E-A-T (Experiência, Expertise, Autoridade e Confiabilidade) e a consistência das informações sobre a marca em diferentes fontes.
Quanto mais robusto for esse conjunto de evidências digitais, maiores tendem a ser as chances de a empresa ser reconhecida como referência. Isso explica por que organizações pouco conhecidas, mas com forte autoridade digital, muitas vezes aparecem nas respostas das IAs, enquanto marcas maiores e com altos investimentos em publicidade podem sequer ser mencionadas.
Embora SEO e mídia paga continuem importantes, eles já não bastam para garantir presença nas buscas conversacionais.
O trabalho de GEO começa com um diagnóstico da presença online da empresa e evolui para ações como produção de conteúdo especializado, fortalecimento da presença na imprensa, implementação correta de dados estruturados, organização semântica do site e reforço dos critérios de E-E-A-T.
Estamos diante de uma mudança comparável à que ocorreu quando o Google substituiu as listas telefônicas. Quem compreender rapidamente essa nova dinâmica poderá construir uma vantagem competitiva relevante.
Yara Ferreira Rocca: Jornalista, especialista em Generative Engine Optimization (GEO) e fundadora da agência Yara Rocca Comunicação. Como colunista de IA & Negócios no jornal empresariALL, analisa como a Inteligência Artificial está transformando a visibilidade das empresas e compartilha estratégias para fortalecer a autoridade digital por meio do GEO.