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Publicado: 18/03/2026 16:49h

Economia do ES cresce pelo terceiro ano seguido

Economia do ES cresce pelo terceiro ano seguido

Atividade econômica do Estado teve alta de 3,2%, em 2025, de acordo com os dados do OBSERVATÓRIO FINDES

Enquanto o aumento das incertezas no cenário econômico internacional marcou o ano de 2025, no mercado interno foram os juros altos, a desaceleração da inflação e o mercado de trabalho aquecido que influenciaram o comportamento da economia. Mesmo diante desse cenário, a atividade econômica do Espírito Santo cresceu pelo terceiro ano consecutivo, com alta de 3,2% em relação ao resultado do ano anterior. 

De acordo com os dados do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), calculado pelo OBSERVATÓRIO FINDES, em 2023 a economia do Estado teve alta de 3,4% em relação ao ano anterior. Em 2024, o crescimento foi de 2,5% e, em 2025, de 3,2%. Já a projeção de crescimento para o ano de 2026 é de 2,1%. Os dados foram divulgados em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (18), na sede da Federação, em Vitória. 

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, comenta que 2025 foi um ano de grandes desafios para as empresas capixabas, mas a indústria do Estado conseguiu crescer. “O cenário internacional e o câmbio impactaram o nosso comércio exterior. Apesar de as nossas exportações terem crescido em volume (+11%), o valor exportado caiu (-2,1%). Passamos por um momento de queda nos preços internacionais de commodities importantes para a nossa pauta exportadora, como petróleo, celulose, minério de ferro e café.” 

Baraona ainda aponta outros desafios que atravessaram o ano. “A taxa básica de juros - a Selic - continua elevada, em 15% ao ano. Isso reduz muito a nossa competitividade. Com os juros caros, fica pouco atrativo para as empresas investirem em modernização ou ampliação das fábricas. Esse patamar de juros também impacta quem pretende comprar imóveis, por exemplo, já que fica mais caro financiar”, afirma. 

A gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES e economista-chefe da FINDES, Marília Silva, comenta que a economia do Espírito Santo cresceu acima da nacional. “A atividade econômica do país cresceu 2,3% em 2025. Esse avanço do PIB foi impulsionado pelo desempenho positivo dos três grandes setores da economia, com destaque para a expansão de 11,7% da agropecuária, cujo resultado foi influenciado, principalmente, pelo desempenho das lavouras de milho e soja, além do aumento da produtividade no campo e da expansão da atividade pecuária.” 

Todos os segmentos econômicos do Estado cresceram em 2025 

A economia capixaba cresceu pelo terceiro ano seguido em 2025, de acordo com os dados do IAE-FINDES, impulsionada por todos os setores econômicos: agropecuária (13,9%), indústria (6,1%) e serviços (1,2%). 

Indústria 

A indústria capixaba teve bons resultados em 2025 e foi a que mais contribuiu para o desempenho da economia do Estado, principalmente devido ao avanço da indústria extrativa, que cresceu 18,6% no ano. As duas atividades que compõem o setor: pelotização de minério de ferro (+7,6%) e produção de petróleo e gás natural (+26,8%), cresceram, segundo os dados do IAE-FINDES. 

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo atingiu 192,9 mil barris por dia em 2025, um crescimento de 24,5% em relação a 2024. Já a produção média de gás natural no Estado foi de 5,1 milhões de metros cúbicos (m³) por dia, resultado 39,5% superior ao de 2024. 

“O desempenho positivo do setor de petróleo e gás no ano passado está relacionado ao aumento da produção no ambiente marítimo, reflexo dos constantes avanços na produção do navio-plataforma Maria Quitéria, localizado no campo Jubarte. O campo registrou aumento de 32,7% na produção de petróleo, enquanto a produção de gás natural cresceu 51,8% no ano”, explica o gerente de Ambiente de Negócios do OBSERVATÓRIO FINDES, Nathan Diirr. 

Outra atividade industrial que cresceu em 2025 foi a de energia e saneamento (+1%), impulsionada pelo aumento do consumo de energia elétrica no Estado. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), houve avanço de 0,3% no consumo de energia elétrica no Espírito Santo no período, com crescimento nas classes residencial (+2,0%) e industrial (+0,3%), enquanto as classes comerciais (-0,5%) e outros (-1,8%) registraram queda. 

Três das cinco atividades que compõem a indústria de transformação tiveram queda em 2025, levando o segmento a recuar 0,8% no ano. Fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+2,7%) e metalurgia (+1%) cresceram. “Esse resultado do setor de metalurgia está associado a uma maior demanda nacional por produtos siderúrgicos, especialmente diante da expansão de atividades industriais que utilizam aço como insumo, como a produção de máquinas, equipamentos e veículos automotores”, comenta Marília Silva. 

Por outro lado, houve queda em três segmentos. A fabricação de produtos de minerais não metálicos (-2,9%) foi pressionada pela menor produção de granito talhado. Também apresentaram recuo os setores de papel e celulose (-2,7%) e de alimentos e bebidas (-0,8%). Já a produção de alimentos recuou, com queda na fabricação de bombons e chocolates, embutidos de suínos e leite esterilizado. A fabricação de papel e celulose enfrentou um cenário internacional desafiador, com forte queda nos preços da celulose, influenciada pelo endurecimento da política comercial dos Estados Unidos. 

“Essa queda do setor evidencia o cenário econômico desafiador que estamos atravessando devido à taxa Selic elevada, uma vez que o setor é sensível ao encarecimento do crédito. Esse contexto contribuiu para limitar o avanço de novos projetos e reduzir a capacidade de investimento”, aponta o presidente da FINDES, Paulo Baraona. 

Agropecuária 

A agropecuária capixaba cresceu 13,9% em 2025. Apesar de apresentar o maior crescimento percentual, o setor contribuiu com apenas 0,6 ponto percentual para o avanço da economia do Estado. As duas atividades que compõem o setor tiveram desempenho positivo: agricultura (+16,7%) e pecuária (+1,3%). 

A agricultura foi impactada positivamente pela safra de café, principal cultura do Estado, além de outras lavouras relevantes, como cana-de-açúcar, milho, arroz, tomate e laranja. “A boa colheita de café conilon compensou os efeitos da bienalidade negativa esperada para o arábica. A expansão do conilon foi favorecida pelo regime de chuvas no Norte do Estado. Tivemos condições climáticas favoráveis na floração e na formação dos frutos, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Além disso, observamos investimentos em mecanização da colheita, que potencializaram a produção”, comenta Marília Silva. 

Serviços 

O setor de serviços capixaba (composto por serviços, comércio e transporte) cresceu 1,2% em 2025, influenciado positivamente pelas três atividades que o compõem. O destaque foi o segmento de transportes (+2,6%), impulsionado pelo aumento da demanda por transporte de cargas, reflexo do avanço das produções agrícola e industrial do Estado. 

A atividade de comércio cresceu 1,0% no ano, favorecida pelo aumento da renda das famílias, que impulsionou o consumo. No Estado, houve crescimento nas vendas de hiper e supermercados, tecidos e vestuário, móveis e eletrodomésticos, artigos farmacêuticos, material de construção, equipamentos para escritório e atacado de produtos alimentícios. 

As demais atividades de serviços cresceram 1,1% em 2025, sustentadas pelo desempenho de segmentos como arte e cultura, reparação e manutenção, serviços pessoais, atividades imobiliárias e pela ampliação da oferta de serviços da administração pública.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Findes
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