Tecnologias implantadas na unidade monitoram equipamentos em tempo real e ajudam a evitar incêndios e interrupções na produção
A Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência global na fabricação de bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto, vem investindo em tecnologias de monitoramento inteligente para ampliar a segurança, a confiabilidade operacional e a eficiência da produção industrial em sua unidade de Aracruz, no Espírito Santo. As iniciativas fazem parte do processo de transformação digital da planta, que iniciou suas operações em 1978 e atualmente desenvolve projetos inéditos no setor brasileiro de celulose.
Entre as soluções implantadas está um sistema de sensoriamento inteligente em roletes das correias transportadoras de cavacos (pequenos pedaços de madeira), considerado pioneiro no segmento. Atualmente, a unidade conta com cerca de 2,5 mil roletes inteligentes instalados, capazes de monitorar continuamente parâmetros como temperatura, vibração e rotação dos equipamentos.
Os sensores funcionam de forma online e sem fio, utilizando tecnologia LoRaWAN, protocolo de comunicação de longo alcance e baixo consumo energético. As informações são transmitidas em tempo real para plataformas de supervisão e análise, podendo enviar sinais para até 3km de distância sem necessidade de retransmissores, o que permite que equipes técnicas identifiquem rapidamente qualquer comportamento fora do padrão.
“Com o avanço das tecnologias de IoT e dos conceitos da Indústria 4.0, tornou-se possível integrar sensores inteligentes capazes de coletar dados em tempo real sobre diversas condições operacionais. Dessa forma, os sensores deixam de atuar apenas como instrumentos de medição e passam a fazer parte de uma estratégia integrada de manutenção preditiva, confiabilidade e otimização operacional”, explica Anderson Cavessana, gerente de Confiabilidade da Suzano.
O monitoramento dos roletes possui papel importante para a continuidade da operação industrial, já que as correias transportadoras são responsáveis pelo deslocamento dos cavacos utilizados na produção de celulose. Em casos de falha nos equipamentos, existe risco real de incêndio e de paralisação da produção por longos períodos.
“Um dos principais modos de falha em fábricas de celulose são incêndios em correias transportadoras de cavacos causados por falhas em roletes. Quando esses caminhos são bloqueados, toda a produção de celulose é interrompida, podendo ter seus efeitos alastrados por semanas”, afirma Cavessana.
Digitalização em planta histórica
Além dos roletes inteligentes, a unidade também desenvolve uma prova de conceito para monitoramento de conexões elétricas em motores industriais. O sistema utiliza sensores capazes de acompanhar, em tempo real, a temperatura dentro das caixas de ligação dos motores, mesmo com os equipamentos lacrados. A tecnologia foi criada internamente após estudos identificarem a ausência de soluções no mercado que atendessem às necessidades operacionais da unidade.
Um dos principais desafios da transformação digital em plantas industriais antigas é adaptar estruturas concebidas antes da era da conectividade em tempo real. Nesse contexto, tecnologias sem fio passaram a permitir a implementação de soluções inteligentes com menor necessidade de infraestrutura física, reduzindo custos e acelerando a modernização industrial. Neste Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, os projetos desenvolvidos na unidade de Aracruz evidenciam como inovação, digitalização e prevenção de falhas vêm transformando operações industriais tradicionais em ambientes cada vez mais atualizados e eficientes.