Crecimento da produção industrial capixaba continua forte e cresce 22,6% no primeiro trimestre do ano, impulsionada pela extração de petróleo e gás natural e pela fabricação de pelotas do minério de ferro
A indústria do Espírito Santo manteve o ritmo de crescimento de 2026 e voltou a se destacar no cenário nacional. No primeiro trimestre do ano, a produção industrial capixaba avançou 22,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, registrando o segundo maior crescimento do país, atrás apenas de Pernambuco (+29,6). O resultado ficou muito acima da média nacional, que avançou apenas 1,3% no período.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada nesta quarta-feira (13) pelo IBGE e compilada pelo OBSERVATÓRIO FINDES, mostraram que, na comparação entre março de 2026 e o mesmo mês do ano passado, a indústria capixaba também registrou alta de produção. O Espírito Santo obteve o segundo maior crescimento do país, com aumento de 22,5%, acumulando assim dez meses consecutivos de expansão com dois dígitos.
O desempenho da indústria capixaba no primeiro trimestre foi impulsionado, principalmente, pela indústria extrativa, que avançou 36,2% no período, refletindo o aumento da produção de petróleo, gás natural e de minério de ferro pelotizado. Já na indústria de transformação, a fabricação de produtos não-metálicos (2,3%) e a metalurgia (+1,0%) foram as responsáveis pelo resultado positivo do setor.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, os números reforçam a consistência do crescimento industrial capixaba e o protagonismo do Estado no cenário nacional. “O Espírito Santo encerrou 2025 na liderança do crescimento industrial do país e segue mantendo esse ritmo em 2026. A indústria extrativa continua sendo um pilar estratégico desse desempenho, impulsionando a atividade econômica e consolidando o Estado como um dos principais polos industriais e energéticos do Brasil”, destaca.
Baraona também ressalta que o desempenho industrial evidencia o potencial competitivo do Espírito Santo. “O Estado vem consolidando sua posição como um dos principais polos industriais, logísticos e energéticos do país. Ao mesmo tempo, é fundamental continuarmos avançando na melhoria da competitividade, da infraestrutura e do ambiente de negócios para sustentar esse ciclo de crescimento nos próximos anos”, afirma.
Produção de petróleo e gás natural impulsiona crescimento industrial
A indústria extrativa foi o principal destaque da produção industrial capixaba no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em março, a produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 268,1 mil barris por dia, o maior volume registrado desde março de 2020.
Já a produção de gás natural atingiu 7,5 milhões de metros cúbicos por dia, maior resultado desde janeiro de 2020.
No acumulado dos três primeiros meses do ano, a produção de petróleo cresceu 35,9% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a produção de gás natural avançou 69,3%.
O gerente de Ambiente de Negócios do OBSERVATÓRIO FINDES, Nathan Diirr, explica que as operações no campo de Jubarte, no litoral sul capixaba, foi determinante para o desempenho do setor no início do ano.
“A retomada da operação do navio-plataforma Maria Quitéria e o início da produção no campo de Wahoo fortaleceram a atividade petrolífera no Espírito Santo no primeiro trimestre. Esse movimento ampliou a produção de petróleo e gás natural e reforçou o papel estratégico da indústria extrativa para o crescimento industrial capixaba”, afirma.
Nathan também destaca que o resultado reflete a recuperação gradual da operação do FPSO Maria Quitéria, que operou com 57% do potencial produtivo em fevereiro e alcançou 64,7% em março, produzindo 64,7 mil barris por dia, diante de uma estrutura projetada para produzir 100 mil barris diários. Já o campo de Wahoo iniciou a extração em março e deve ampliar gradualmente sua atividade nos próximos meses.
Pelotização e mineração mantêm desempenho positivo
A atividade de pelotização também apresentou desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026. A produção de pelotas de minério de ferro da Vale no Espírito Santo alcançou 5 milhões de toneladas entre janeiro e março, crescimento de 35,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o relatório trimestral da companhia, o resultado foi impulsionado pela maior oferta de pellet feed (minério de alta qualidade) proveniente de Itabira (MG) e pelo redirecionamento estratégico de insumos anteriormente destinados às plantas de Omã, localizado no Oriente Médio, para as plantas de Tubarão, em Vitória (ES).
Já a Samarco produziu 3,8 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre, alta de 18% frente ao mesmo período de 2025. O resultado reforça a consolidação da segunda fase de aumento gradual e planejado da empresa, concluída ao longo do ano passado.
O bom desempenho da mineração também refletiu nas exportações. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações capixabas de minério de ferro somaram US$ 761,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 23,4% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em volume, os embarques cresceram 34,8%, totalizando 6,8 milhões de toneladas. Os principais destinos do minério de ferro capixaba no período foram Egito, Coreia do Sul e Argentina.
Cenário econômico é adverso
O primeiro trimestre de 2026 foi marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, cenário que elevou os preços internacionais do petróleo e ampliou as pressões inflacionárias no mundo. Mesmo diante desse ambiente de maior incerteza, o Espírito Santo registrou crescimento do emprego formal e expansão da produção industrial. Nos três primeiros meses do ano, o estado criou 12.814 empregos com carteira assinada, com destaque para os setores de serviços e da indústria.
A economista-chefe da FINDES e gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva, aponta que o desempenho econômico do Espírito Santo tem sido sustentado principalmente pela atividade extrativa, mas alerta para os impactos do cenário internacional sobre inflação e juros.
“O aumento das tensões no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo e ampliou as incertezas sobre inflação, juros e atividade econômica global. Apesar disso, o Espírito Santo segue apresentando resultados positivos, impulsionados principalmente pelos setores de petróleo, gás natural e mineração”, explica.
Para o presidente da FINDES, Paulo Baraona, os desdobramentos do cenário internacional exigem atenção, especialmente pelos impactos sobre os custos da indústria e a competitividade das empresas. “A elevação dos preços do petróleo, de fertilizantes e dos custos logísticos internacionais tende a pressionar toda a cadeia produtiva, impactando desde combustíveis e fretes até insumos industriais. Esse cenário aumenta os desafios para a competitividade da indústria, especialmente em setores mais dependentes do comércio exterior e do transporte internacional”, afirma.