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Publicado: 14/05/2026 16:01h

ES tem 2º maior crescimento da produção industrial do país no 1º trimestre de 2026

ES tem 2º maior crescimento da produção industrial do país no 1º trimestre de 2026

Crecimento da produção industrial capixaba continua forte e cresce 22,6% no primeiro trimestre do ano, impulsionada pela extração de petróleo e gás natural e pela fabricação de pelotas do minério de ferro

A indústria do Espírito Santo manteve o ritmo de crescimento de 2026 e voltou a se destacar no cenário nacional. No primeiro trimestre do ano, a produção industrial capixaba avançou 22,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, registrando o segundo maior crescimento do país, atrás apenas de Pernambuco (+29,6). O resultado ficou muito acima da média nacional, que avançou apenas 1,3% no período.   

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada nesta quarta-feira (13) pelo IBGE e compilada pelo OBSERVATÓRIO FINDES, mostraram que, na comparação entre março de 2026 e o mesmo mês do ano passado, a indústria capixaba também registrou alta de produção. O Espírito Santo obteve o segundo maior crescimento do país, com aumento de 22,5%, acumulando assim dez meses consecutivos de expansão com dois dígitos.  

O desempenho da indústria capixaba no primeiro trimestre foi impulsionado, principalmente, pela indústria extrativa, que avançou 36,2% no período, refletindo o aumento da produção de petróleo, gás natural e de minério de ferro pelotizado. Já na indústria de transformação, a fabricação de produtos não-metálicos (2,3%) e a metalurgia (+1,0%) foram as responsáveis pelo resultado positivo do setor.  

Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, os números reforçam a consistência do crescimento industrial capixaba e o protagonismo do Estado no cenário nacional. “O Espírito Santo encerrou 2025 na liderança do crescimento industrial do país e segue mantendo esse ritmo em 2026. A indústria extrativa continua sendo um pilar estratégico desse desempenho, impulsionando a atividade econômica e consolidando o Estado como um dos principais polos industriais e energéticos do Brasil”, destaca. 

Baraona também ressalta que o desempenho industrial evidencia o potencial competitivo do Espírito Santo. “O Estado vem consolidando sua posição como um dos principais polos industriais, logísticos e energéticos do país. Ao mesmo tempo, é fundamental continuarmos avançando na melhoria da competitividade, da infraestrutura e do ambiente de negócios para sustentar esse ciclo de crescimento nos próximos anos”, afirma. 

Produção de petróleo e gás natural impulsiona crescimento industrial 

A indústria extrativa foi o principal destaque da produção industrial capixaba no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em março, a produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 268,1 mil barris por dia, o maior volume registrado desde março de 2020.  
Já a produção de gás natural atingiu 7,5 milhões de metros cúbicos por dia, maior resultado desde janeiro de 2020. 

No acumulado dos três primeiros meses do ano, a produção de petróleo cresceu 35,9% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a produção de gás natural avançou 69,3%. 

O gerente de Ambiente de Negócios do OBSERVATÓRIO FINDES, Nathan Diirr, explica que as operações no campo de Jubarte, no litoral sul capixaba, foi determinante para o desempenho do setor no início do ano. 

“A retomada da operação do navio-plataforma Maria Quitéria e o início da produção no campo de Wahoo fortaleceram a atividade petrolífera no Espírito Santo no primeiro trimestre. Esse movimento ampliou a produção de petróleo e gás natural e reforçou o papel estratégico da indústria extrativa para o crescimento industrial capixaba”, afirma. 

Nathan também destaca que o resultado reflete a recuperação gradual da operação do FPSO Maria Quitéria, que operou com 57% do potencial produtivo em fevereiro e alcançou 64,7% em março, produzindo 64,7 mil barris por dia, diante de uma estrutura projetada para produzir 100 mil barris diários. Já o campo de Wahoo iniciou a extração em março e deve ampliar gradualmente sua atividade nos próximos meses. 

Pelotização e mineração mantêm desempenho positivo 

A atividade de pelotização também apresentou desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026. A produção de pelotas de minério de ferro da Vale no Espírito Santo alcançou 5 milhões de toneladas entre janeiro e março, crescimento de 35,1% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Segundo o relatório trimestral da companhia, o resultado foi impulsionado pela maior oferta de pellet feed (minério de alta qualidade) proveniente de Itabira (MG) e pelo redirecionamento estratégico de insumos anteriormente destinados às plantas de Omã, localizado no Oriente Médio, para as plantas de Tubarão, em Vitória (ES).  

Já a Samarco produziu 3,8 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre, alta de 18% frente ao mesmo período de 2025. O resultado reforça a consolidação da segunda fase de aumento gradual e planejado da empresa, concluída ao longo do ano passado. 

O bom desempenho da mineração também refletiu nas exportações. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações capixabas de minério de ferro somaram US$ 761,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 23,4% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em volume, os embarques cresceram 34,8%, totalizando 6,8 milhões de toneladas. Os principais destinos do minério de ferro capixaba no período foram Egito, Coreia do Sul e Argentina. 

Cenário econômico é adverso 

O primeiro trimestre de 2026 foi marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, cenário que elevou os preços internacionais do petróleo e ampliou as pressões inflacionárias no mundo. Mesmo diante desse ambiente de maior incerteza, o Espírito Santo registrou crescimento do emprego formal e expansão da produção industrial. Nos três primeiros meses do ano, o estado criou 12.814 empregos com carteira assinada, com destaque para os setores de serviços e da indústria. 

A economista-chefe da FINDES e gerente executiva do OBSERVATÓRIO FINDES, Marília Silva, aponta que o desempenho econômico do Espírito Santo tem sido sustentado principalmente pela atividade extrativa, mas alerta para os impactos do cenário internacional sobre inflação e juros. 

“O aumento das tensões no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo e ampliou as incertezas sobre inflação, juros e atividade econômica global. Apesar disso, o Espírito Santo segue apresentando resultados positivos, impulsionados principalmente pelos setores de petróleo, gás natural e mineração”, explica. 

Para o presidente da FINDES, Paulo Baraona, os desdobramentos do cenário internacional exigem atenção, especialmente pelos impactos sobre os custos da indústria e a competitividade das empresas. “A elevação dos preços do petróleo, de fertilizantes e dos custos logísticos internacionais tende a pressionar toda a cadeia produtiva, impactando desde combustíveis e fretes até insumos industriais. Esse cenário aumenta os desafios para a competitividade da indústria, especialmente em setores mais dependentes do comércio exterior e do transporte internacional”, afirma.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Findes
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